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O acendedor de lampiões

Antigos matadouros, um exemplo desconhecido de reconversão urbana

2 Juin 2026 , Rédigé par David Brites Publié dans #Economia, #História

Antigos matadouros de Vaugirard, em Paris.

Em muitas cidades de Europa e do mundo, como Nice, Amsterdam, Marseille ou ainda Toulouse, muitos sítios de matadouros, ou mercados de gado, fecharam nas décadas de 1960 e de 1970, colocando às autoridades locais a questão do uso dos espaços então inutilizados. Panorama fotográfico de três cidades onde os matadouros foram reconvertidos, deixando aparecer novas dinâmicas nos bairros em questão: Paris, Casablanca e Madrid.

A indústria do abate de gado, de ovelhas e de cavalos nas cidades europeias conheceu um declínio progressivo desde 1945. Enquanto o número de pessoas que trabalham nesse setor deminuiu muito, os setores da criação operaram a sua reconverção desde várias décadas – há mais ou menos tempo conforme os países, mas em geral após a guerra. Essas evoluções deram a ocasião de ver surgir projetos de reconversão urbana originais.

Primeiro passo na nossa pequeno « viagem » fotográfica: Paris. Na região-capital (Île-de-France), muitos matadouros foram objeto de projetos de reconversão desde alguns anos. Um dos mais famosos é o de La Villette. Por lembrança, diante dos custos e do tempo de reconstrução do sítio, todas as atividades de abate foram lá interrompidas em 1974. Todos os matadouros ocupam então uma área de 54 hectares. Uma grande parte do construido foi ai destruido. Do lado dos novos edifícios, acha-se lugares de estudos, de lazeres ou de cultura: a Cité de la Musique, a Cité des Sciences et de l’Industrie, as salas do Zénith e do Cabaret Sauvage, ou ainda o Parque de La Villette. Mas alguns vestígios do antigo mercado de gado subsistem. Entre eles, o mais emblemático permenece obviamente a Grande Halle de la Villette, antiga Halle aux Bœufs. A frente do edifício, a praça da fonte chamada Fontaine-aux-Lions de Nubie, a qual servia de gamela para o gado, também sobreviviu.

A área de La Villette é um sucesso para a capital. O número de passantes permanece ai impressionante, em particular nos finais de semana, e as atividades culturais que são lá observadas, às vezes gratuitas, muitas vezes pagas, são muitas, como o comprova o site Internet do sítio (La Villette); elas permitem além disso uma frequentação de públicos muitos diferentes.

Antigos matadouros, um exemplo desconhecido de reconversão urbana
Antigos matadouros, um exemplo desconhecido de reconversão urbana
La Grande Halle de La Villette. Nesse edifício de antigos matadouros, vê-se bem as estruturas feitas de armação de metal que a compõem. Em frente, a praça da Fontaine-aux-Lions, que servia de regador para o gado, e agora participa do charme do sítio.

La Grande Halle de La Villette. Nesse edifício de antigos matadouros, vê-se bem as estruturas feitas de armação de metal que a compõem. Em frente, a praça da Fontaine-aux-Lions, que servia de regador para o gado, e agora participa do charme do sítio.

Porta dos antigos matadouros de Vaugirard (Paris).

Em Paris ainda, acha-se outros matadouros reconvertidos. O de Vaugirard, no 15° arrondissement, tinha a ver com uma área de 72 000 m². Foi quase integralmente destruido no início da década de 1980, após ter acabado as suas atividades em 1978. Só três edifícios, as portas monumentais (como o ilustra a fotografia aqui à esquerda) e umas estátua sobreviveram. Para o resto, quelquer um pode aproveitar do parque Georges-Brassens que nasceu no sítio. Acrescenta-se o teatro Le Monfort, antigamente chamado Carré Silvia-Monfort, que pretende ser um centro de animação cultural.

Segundo passo da nossa « viagem »: Casablanca. Primeira cidade de Marrocos pela sua população, a atividade dos matadouros acabou ai em 2002. O bairro sofriu da sua fechadura, com o fim parcial das atividades auxiliares ligadas aos matadouros (venda de gado, restauração, etc.). À fronteira entre o bairro das Rochas negras no norte e o de Hay Mohammadi no sul, o sítio, um terreno de mais ou menos 5 hectares bastante bem localizado na metrópole (e hoje em dia conectado pelo bonde eléctrico), foi desde então transformado em fábrica cultural.

Essa reconversão foi apoiada pela associação marroquina Casamémoire, que permitiu a coordenação dos diferentes intervenientes e a organização de eventos. Em Janeiro de 2009, essa associação, fundada em 1995 na perspetiva de salvaguardar o património marroquino no século XX, assinava com a cidade de Casablanca uma convenção de parceria relativa à reconversão dos matadouros em sítio cultural. Objetivo: fazer do lugar um verdadeiro espaço público com vocação artística e cultural, aberto a todos e livre.

Em Maio de 2013, uma equipa de oito estudantes, CASA venir, realizou no âmbito de um concurso de projetos destinado a criar sinergias e uma cultura comum do desenvolvimento sustentável nos estudantes de disciplinas diferentes (o concurso Ergapolis), um estudo sobre a reabilitação dos antigos matadouros de Casablanca. Eles levavam então a ambição de misturar lá cultura, tecnologias digitais, espaço de encontro e biodiversidade.

No sítio das antigos matadouros de Casablanca, em 2013. (Crédito foto © Patrick Forget)

No sítio das antigos matadouros de Casablanca, em 2013. (Crédito foto © Patrick Forget)

Crédito foto © Patrick Forget, 2013.

Eles identificavam três grandes espaços estruturando agora os antigos matadouros: o Parque de Atividade pelas idades todas, « oásis vegetal e mineral no coração de cidade, oferecendo uma ampla escolha de atividades de dia e de noite, de serviços e de entretenimentos », numa área urbana que falta de espaços verdes; a Central de Hay Mohammedi, « que desenvolveu a experiência de vida casablanquese graças a infra-estruturas dedicadas aos eventos e às artes que integra o bairro numa nova dinâmica »; o Grande Pátio, « espaço alcançado ao longo do eixo principal que inscreve o sítio na paisagem de Hay Mohammedi ». A Central, centro de desenvolvimento cultural, artístico, associativo, compõe-se das Fábricas, centro nevrálgico das atividades culturais, da Casa de Bairro de Hay Mohammedi, e da Administração geral, para gerir todo o lugar. Esse conjunto era então objeto de preconizações, mas a reconversão permeceu lenta laboriosa.

A parte dos matadouros é claramente fechada ao tecido urbano que a cerca. Muros físicos e vegetais a circunda. No entanto, ela é agora integrante do tecido urbano como sítio cultural futuro. Dezenas de eventos já foram lá organizados nos últimos anos: exposições, shows, oficinas de artes plásticos ou de música, projeções, e até festivais. Um coletivo de associações artisticas e de operadores culturais levam essas iniciativas desde 2008. Um dos laços-Internet os mais reatualizados sobre as atividades observadas na área dos antigos matadouros é a página Facebook seguinte: La Fabrique Culturelle des Anciens Abattoirs de Casablanca.

Crédito foto © Patrick Forget, 2013.

Crédito foto © Patrick Forget, 2013.

O sítio dos antigos matadouros de Casablanca, em 2013. (Crédito foto © Patrick Forget)

O sítio dos antigos matadouros de Casablanca, em 2013. (Crédito foto © Patrick Forget)

Em Madrid, capital da Espanha, os antigos matadouros (el matadero), localizados na periféria sul da cidade, foram reconvertidos em um centro de criação contemporâneo. Como em Paris ontem e em Casablanca hoje, essa transformação escreve-se num movimento geral de uso renovado dos antigos edifícios, iniciado em vários municípios pelo mundo. Com sempre o mesmo objetivo: implementar espaços inovadores e de lazeres conservando a memória do lugar. Enfim, fazer novo com velho, sem o destruir. Entre os muitos edifícios reconvertidos na perspetiva de preservar no máximo o patrimônio urbano, podemos mencionar Arts on Main, lugar de consumo « na moda » (cafés, mercado, etc.) num antigo armazém de bebidas Baileys localizado no centro de um bairro antigamente mal-famoso, na parte Leste do centro da cidade de Joanesburgo; a aitga estação rebaptizada La Recyclerie, um prédio do 18° arrondissement de Paris reconvertido num lugar cultural onde vêem-se ortas, uma pequena fazenda, oficinas DIY (Do-It-Yourself), e um bar-restaurante; ou ainda o Gasômetro, antiga fábrica a carvão localizada no centro do centro de Porto Alegre, no Brasil, hoje em dia usado para exposições, fórums, e até cessões de projeção cinematográficas.

Nos antigos matadouros de Madrid.

Como em outros lugares, a reconversão de matadouros em Madrid tinha como objetivo criar espaços não usados para lugares de criação artística, exposições, jogos, desportos, mas também para flanar. Esse projeto que tem mais de 35 anos de idade consagrou o reconhecimento do patrimônio arquitectural do sítio, após o fim das atividades do matadouro na década de 1980. El Matadero em Madrid tornou-se um projeto pluri-atores, com em particular a ideia de transformar os espaços em « fábrica cultural ». Concretamente? Traduz-se pela expressão das artes vivas, entre as quais podemos mencionar o teatro, a música, a dança, as artes plásticas, o street art, uma cinemateca, ou ainda espaços de leitura, e de promoção e de divulgação do design (« Central de Diseño »). Para os curiosos, aqui está o site-Internet: Matadero Madrid – Centro de Creación Contemporánea. Uma maneira de fazer se cruzar a memória do patrimônio e a modernidade de um lugar acessível a todos. E o acaso cai bem: o sítio é agradável e transmite um ambiente favorável aos lazeres e ao relaxamento.

Os espaços de antigos matadouros, pelo seu tipo como pelo seu uso novo, tornam-se lugares interessantes de visite e de passeio para os moradores da cidade, mas também para esptrangeiros que passam por lá. Séao simptomáticos de uma certa visão do planejamento urbano que não vê o espaço público pelo único prismo da sua fucionalidade, mas também com um objetivo de favorecer o bem-estar, os momentos de lazer e de relaxamento. Os visitar, permitindo sair dos lugares mais visitados, pode tornar-se uma iniciativa « alternativa » original para os que passam por Paris, Casablanca, Madrid ou outras cidades.

Antigos matadouros, um exemplo desconhecido de reconversão urbana
Antigos matadouros, um exemplo desconhecido de reconversão urbana
Antigos matadouros (« El Matadero ») de Madrid.

Antigos matadouros (« El Matadero ») de Madrid.

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